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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Revolucionários Digitais



A charge "Revolucionários Digitais", de Magô Pool, inserida como atividade reflexiva do curso Educação e Participação em Rede (#CursoEPemRede), nos remete ao fato de que, muitas vezes, a inferência de uma relação biunívoca entre atividades em redes digitais e manifestação social efetiva pode ser enganosa. O ambiente de mobilização e amplificação, proporcionado pelas tecnologias de comunicação, parece ser um dado concreto. Entretanto, a construção de consensos, de mobilização permanente e de desdobramentos efetivo das ações propostas, para além do ambiente digital, me parece menos claro.

Em que pese a importância das ações virtuais, o legado filogenético da espécie humana parece, apesar da desenvoltura apresentada no ambiente virtual, necessitar da "realidade concreta" proporcionada pelo território. O principal campo de disputa e de efetividade das ações realizadas ainda parece ser aquele relacionado ao ambiente "tradicional".

Por outro lado, a busca por consensos está relacionada à capacidade de estabelecimento de bases mínimas de respeito dialógico. As redes sociais, parecem, em grande medida, reforçar posições já estabelecidas, dificilmente possibilitando o debate entre contraditórios - o que explica a emergência da irracionalidade caracterizada pelo ódio e o preconceito, que crescem absurdamente no ambiente virtual. Também relacionado à sensação de distanciamento oferecida pela emissão de posicionamentos sem a possibilidade de contraposição direta pelo interlocutor (geralmente situado em tempo e espaço diferentes do emissor) - outra característica ofuscada pelo distanciamento virtual é a percepção de estados mentais (emoções, intenções, reações...) captadas, tradicionalmente, nas expressões faciais.

Outro fator negativo, parece ser a dificuldade de mobilização permanente em torno de determinadas causas. Vive-se da causa do momento. A própria lógica da rede digital, difusa e interconectada, pode dificultar a consolidação de posições de longo prazo. Adere-se a todas as bandeiras e, portanto, a nenhuma.

Isso parece refletir, de maneira muito clara, na falta de desdobramento efetivos de muitas ações propostas. Tem-se um start retumbante e envolvente, todos os afetos estão focados sobre aquela temática. Mas, aos poucos, dada a pouca celeridade do universo jurídico e político, o que por si só não é ruim, a coesão e a vontade vão se esvaindo, já que a dinâmica virtual formata demandas e soluções imediatas. Quando se olha novamente, a maioria já se encontra carregando outras bandeiras - como a mesma emoção e afinco. E o processo se repete.

Parece evidente que as redes digitais podem jogar um importante papel na difusão da informação, base para a construção de um conhecimento mais sólido. Também podem ser amplificadores de bandeiras e ações de luta social, interconectando e acionando sujeitos espaço-temporalmente distantes. Entretanto, a concretização de mudanças profundas e estruturais na sociedade passa pela efetivação das ações no território da "realidade concreta". Não se pode confundir as ferramentas com o fim a que se destinam.

Por Paulo C. C. Basso

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