Pesquisa mostra que rangidos de primatas podem explicar como os homens formaram suas primeiras palavras
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| Rangidos de 'beijos' de orangotangos podem explicar como nossos ancestrais formaram as primeiras palavras (Foto: Georg Wendt/AFP) |
Um
grupo
de cientistas afirma ter começado a desvendar segredos da origem da
fala humana por meio da análise dos sons de "beijos"
emitidos por orangotangos.
Uma
das revelações do estudo, realizado na Universidade de Durham, no
norte da Inglaterra, é que os animais transmitem diferentes
mensagens com esses tipos de rangidos com os lábios, similares aos
sons de consoantes.
Isso
pode dar pistas sobre como os homens formaram suas primeiras
palavras.
Responsável
pelo levantamento, o pesquisador Adriano Reis e Lameira contou que
gravou e analisou cerca de 4,5 mil "beijos" de orangotangos
ao longo de anos.
A
equipe diz que estudou esses rangidos em especial porque o movimento
dos lábios, língua e mandíbula é responsável pela emissão dos
sons de muitas consoantes, e não a voz.
"Tendemos
a acreditar que as palavras talvez tenham evoluído a partir de um
precursor rudimentar para transmitir mensagens mais complexas",
explicou o pesquisador.
"Usamos
o comportamento vocal dos orangotangos para voltar ao tempo em que
nossos antepassados estavam usando aquilo que viria a se transformar
nas consoantes e nas vogais."
As
conclusões da pesquisa foram publicadas na revista científica
Nature Human Behaviour.
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| Ao 'mandar beijos', orangotangos emitem mensagens, dizem cientistas (Foto: Reuters/Sergei Karpukhin) |
Vogais e consoantes
Os
pesquisadores afirmam que estudar a parte das consoantes na evolução
da linguagem tem sido mais difícil do que analisar os sons similares
a vogais emitidos pelos primatas.
Mas
segundo um dos autores do estudo, o professor Serge Wich, da
Universidade Liverpool John Moores, compreender essa parte do
processo é bastante importante, uma vez que elas são "blocos
de construção" cruciais da fala humana.
"Conseguimos
formar mais combinações com consoantes do que com vogais",
explicou.
No
total, 4.486 rangidos de "beijos" de 48 orangotangos de
populações selvagens foram gravados e analisados.
Com
milhares de horas de escuta nas mãos, os pesquisadores descobriram
que os animais incorporam diferentes pedaços de informação nesses
ruídos.
Em
uma das análises, a equipe constatou que os orangotangos pareciam
transmitir uma mesma mensagem com diferentes sons, da mesma forma
como nós humanos usamos diversas palavras para dizer a mesma coisa,
como "carro", "automóvel" e "veículo".
"Eles
pareciam deixar duplamente claro que a mensagem havia sido recebida
com o reenvio dela usando um sinal (conjunto de rangidos de 'beijo')
diferente", disse Wich.
Segundo
os cientistas, o estudo sugere que essa "redundância" -
formar sons diferentes para transmitir a mesma mensagem, com o
objetivo de reforçá-la - levou à evolução primitiva da
linguagem, e não um esforço concentrado para formar palavras
complexas.
Fonte: g1.globo.com


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