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| Jiroemon Kimura, o (já falecido) homem mais velho do mundo Crédito: YouTube/Screenshot |
O professor S. Jay Olshansky uma vez disse
ao Gizmodo: “no mundo das ciências do envelhecimento, se você quer ter
uma vida longa, escolha pais que viveram muito”. Os marcadores genéticos
ligados à longevidade são muito interessantes. Mas se você tiver os
genes errados, então as decisões erradas podem acabar com você.
Um time de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos queria
descobrir o papel da genética na expectativa de vida humana,
especificamente relacionado ao hormônio do crescimento. O trabalho dos
pesquisadores mostrou duas coisas principais: primeiro, que uma mutação
no DNA dos homens relacionado ao hormônio do crescimento pode levar a
uma vida mais longa. E segundo, tratar pessoas de idade com hormônio do
crescimento pode ser perigoso se eles não tem a variação.
Gil Atzmon, o principal investigador do estudo do Albert Einstein
College of Medicine e da University of Haifa, em Israel, ficou muito
empolgado ao descobrir como uma leve mudança no DNA pode ter um impacto
tão grande. Apague alguns pares base, “e você terá uma proteína ainda
funcional que agora faz as pessoas viverem mais tempo”, ele disse. “Eu
acho isso fenomenal”.
É complexo, então vou ir devagar e possivelmente simplificar as
coisas. Basicamente, existe um sistema em questão, o “eixo IGF-1/GH”.
Cada um desses são genes que codificam diferentes moléculas do seu
corpo.
Pesquisadores já tinham um pressentimento que o IGF-1 pode regular a
altura em troco da longevidade, como é o caso dos cachorros. Mais IGF-1
quer dizer mais alto mas com uma vida mais curta. Isso deve fazer
sentido, é parecido com o caso dos cachorros maiores terem vidas mais
curtas.
Os pesquisadores estudaram 800 homens e mulheres, de quatro
populações diferentes, e descobriram algo impressionante. De fato os
níveis de IGF-1 eram mais baixos em centenários, mas muitos dos homens
também eram mais altos. Os dados mostrou aos pesquisadores que havia
mais do que apenas o IGF-1 em jogo.
Homens centenários geralmente têm faltando um pedaço específico do
DNA no seu gene GHR. Essas pessoas parecem ser mais sensíveis ao
hormônio do crescimento e ficam mais altas. Então, mesmo que seus níveis
de IGF-1 sejam baixos (eles viveram mais), eles ainda cresciam com seu
gene GH especial. As pessoas com essa mutação pareciam viver dez anos a
mais, em média.
E o estudo realmente foi imenso. A replicação em quatro populações
distintas “torna o resultado mais preciso e traduzido globalmente”.
O próprio Atzom admitiu que isso é bem complexo. Mas é
definitivamente prova nova e importante sobre o papel que esse eixo
IGF-1/GH tem ao determinar simultaneamente a sua altura e a sua
expectativa de vida, explicou Andrzej Bartke, professor de fisiologia e
medicina interna na Southern Illinois University School of Medicine, em
uma conversa com o Gizmodo.
Mas ainda não compreendemos completamente o mecanismo. “Certamente
precisamos de mais pesquisa para entender exatamente porque esse tipo de
receptor GH favorece a longevidade extrema, porque esse efeito só foi
observado em homens e por que os resultados em pessoas estudadas por
esses investigadores diferem de descobertas anteriores em diferentes
grupos de humanos com os mesmos tipos de receptores”, disse Bartke.
Tem uma pegadinha nisso tudo. Seus resultados pareciam mostrar que
pessoas que não tem a variação GH pode na verdade ser sensíveis à
terapia com hormônio do crescimento. “É uma dura lembrança que
administrar hormônio do crescimento como uma intervenção para impedir o
envelhecimento, que ainda é feito na indústria de remédios contra o
envelhecimento, não é apoiado pela literatura científica”, Olshansky
disse ao Gizmodo. “Na verdade, pode até ser danoso”.
Fonte: gizmodo.uol.com.br

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