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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Charles Darwin, a Teoria da Evolução e a Psicologia Evolucionista - Parte I

Por Paulo Basso*


Os seres humanos sempre se questionaram acerca de suas origens. Ao longo dos séculos, nas mais diversas sociedades, pensadores refletiram e buscaram repostas para um dos maiores mistérios da natureza: a origem e desenvolvimento da vida.
Entretanto, todas as tentativas de entender os mecanismos que tornaram a vida possível passavam por concepções místicas e metafísicas, mitologias envolvendo a vontade e/ou necessidade de deuses e deusas.
Mesmo os gregos clássicos, que avançaram, em alguns momentos, no sentido de uma explicação em termos de forças e processos naturais, não puderam dar o passo decisivo no entendimento dos mecanismos que tornam a diversidade e complexidade da vida possível.
Tivemos que esperar até o século XIX para que esse grande mistério começasse a ser solucionado, através da engenhosa, pois simples e sutil, Teoria da Seleção Natural, do naturalista britânico Charles Darwin.
Na verdade, a percepção de que os seres vivos mudam ao longo do tempo, em um processo evolutivo, era motivo de discussão e alvo das mais variadas teorias, naqueles primórdios de séculos XIX, e mesmo antes. O próprio avô de Charles, Erasmus Darwin, era um polêmico defensor dessa visão. Entretanto, por mais que se percebesse que as espécies não eram imutáveis, e que os seres não surgiam espontaneamente, ao contrário do que a visão religiosa e a filosofia naturalista da época queriam, não se concebia um mecanismo plausível para a emergência da complexidade a partir da simplicidade, a não ser pela obra de um criador benevolente.
O mérito de Charles Darwin foi intuir, a partir de uma monumental somatória de dados empíricos e observações das mais variadas, e propor, de maneira coerente, o mecanismo que possibilita o surgimento da complexidade e da variação da vida: a Seleção Natural.
A sua teoria, em seus princípios básicos, válida até os dias atuais, diz que a natureza é prolífica, ou seja, produz mais formas de vida do que o número que pode sustentar. A cada geração, ocorrem pequenas variações na constituição dos indivíduos nascidos, em uma dada população. A maior parte dessas variações são nocivas e, portanto, o indivíduo que as possui não sobrevive; entretanto, algumas dessas variações são benéficas, ou seja, oferecem alguma vantagem para o seu possuidor, permitindo que o mesmo tenha maior possibilidade de sobrevivência e, o mais importante, de sucesso reprodutivo – garantindo que essa vantagem adquirida seja transmitida aos seus descendentes, hereditariamente. Dado tempo suficiente, o acumulo de muitas e pequenas variações, conhecidas atualmente como mutações, são a base do desenvolvimento dos mais variados membros, órgãos, sistemas, espécies, etc., ou seja, de toda a estonteante e magnífica diversidade e complexidade da vida. Observa-se que as mutações são, em sua maioria, nocivas aos organismos, só sendo possível a evolução adaptativa seletiva pelo grande tempo disponível, tempo geológico, para que as variações úteis se acumulem em benefício dos seres vivos.
Portanto, o que Darwin nos revelou é que, gradualmente, através de pequenas transformações, órgãos e funções podem evoluir, beneficiando os seres vivos em sua luta pela sobrevivência e reprodução, e serem transmitidos às gerações futuras - originado novas formas de vida.
O mais interessante é que Darwin já percebia, de maneira clara, que os “instintos” e a “mente”, assim como as demais características de um ser vivo, também são alvo da evolução, através da Seleção Natural: “Com relação aos instintos, por mais espetaculares que sejam, vemos que não oferecem maiores dificuldades que as estruturas corporais para serem explicados pela teoria [...] de modificações sucessivas e ligeiras [...]" ("A Origem das Espécies").
O grande naturalista entrevia um futuro no qual novos campos se abririam para a pesquisa baseada na Teoria da Evolução. Argumentava que a Psicologia teria por base o fundamento da aquisição gradual das faculdades e aptidões mentais - lançando, assim, nova luz sobre a origem e a história dos seres humanos. 
*Historiador e Pós-Graduado em Psicologia e Altas Habilidades/Superdotação

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