ERA UMA VEZ UMA GAROTA ESPERTA
There was a young lady named,
Bright Who traveled much faster than light.
She started one day
In the relative way,
And returned on the previous night.
Bright Who traveled much faster than light.
She started one day
In the relative way,
And returned on the previous night.
Era uma garota esperta,
Muito mais rápida que a luz.
Um dia ela partiu
Do jeito relativo,
E chegou de volta na véspera.
Muito mais rápida que a luz.
Um dia ela partiu
Do jeito relativo,
E chegou de volta na véspera.
Estes versinhos muito citados, que
apareceram pela primeira vez na revista britânica Punch muito tempo
atrás, quando as teorias de Einstein começavam a chegar ao conhecimento
do público mais amplo, descreve com bastante precisão uma das
implicações da teoria especial da relatividade de Einstein. A teoria nos
diz que se alguma coisa - quer seja um objeto material ou uma
informação — pudesse se deslocar com velocidade maior que a da luz,
seria capaz de se deslocar do futuro para o passado.
Como muitas conclusões surpreendentes na
Física, a idéia de que a viagem mais rápida que a luz pode, sob certas
circunstâncias, ser também uma viagem no tempo pode ser deduzida de
alguns pressupostos muito simples. A teoria especial se apóia em apenas
dois. O primeiro é que a velocidade da luz, tal como medida por
qualquer observador é sempre a mesma. O segundo é que as leis da Física
parecerão as mesmas para qualquer observador num estado de movimento
uniforme. "Uniforme", aqui, significa "com uma velocidade constante
numa direção fixa". A distinção entre movimento uniforme e não-uniforme
é importante. Por exemplo, uma passageira de um avião que está se
movendo com velocidade constante numa linha reta sente a mesma força da
gravidade que na superfície da Terra e pode caminhar para frente e
para trás pelo corredor como caminharia pelo corredor de um auditório.
Mas se de repente o avião encontrar turbulência e perder altura, a
coisa pode mudar de figura. Em condições extremas, uma bandeja de
comida pode até parecer estar levantando vôo.
A idéia de relatividade não é na verdade
nada de novo. Galileu e Newton sabiam que o movimento era relativo.
Tinham conhecimento de que um passageiro num navio em movimento por um
mar calmo pode, se quiser, considerar que o navio está em repouso. Como
Galileu assinalou, um objeto que se deixa cair de um mastro parecerá
cair diretamente para baixo rumo ao convés, quer a embarcação esteja se
movendo pela superfície do oceano ou não. A única coisa que importa é o
movimento do objeto em relação ao navio.
Na verdade, somos todos relativistas
naturais. Uma pessoa sentada numa cadeira vai geralmente se considerar
"imóvel", ainda que a Terra esteja girando em seu eixo e revolvendo-se
em torno do Sol, enquanto o Sol se revolve em torno do centro de nossa
Via Láctea, que por sua vez se move em relação a outras galáxias no
espaço. Nenhum desses movimentos é uniforme. O movimento circular, por
exemplo, não é uniforme porque não se dá em linha reta. Para os
propósitos da vida cotidiana, no entanto, esses movimentos se aproximam
o suficiente da uniformidade.
UM PROBLEMA COM A ELETRODINÂMICA
Quando Einstein começou a pensar sobre a
relatividade nos primeiros anos do século, havia uma exceção clamorosa
ao princípio segundo o qual as leis da Física deviam ser sempre as
mesmas para qualquer estado de movimento uniforme. As leis da
eletricidade e do magnetismo, ou eletrodinâmica, não eram sempre as
mesmas. Por exemplo, se um imã é movido, cria-se um campo elétrico.
Esse campo elétrico pode, por sua vez, induzir uma corrente elétrica
num fio próximo. Este é o princípio em que a geração da eletricidade se
baseia. Os geradores elétricos contêm imãs em rápido movimento.
Da mesma maneira, se o magneto ficar
imóvel, mas o fio for movido, uma corrente elétrica será igualmente
gerada. Neste caso, contudo, as leis da eletrodinâmica descreviam o
fenômeno de maneira diferente. Elas ainda previam o aparecimento de uma
corrente, mas pareciam dizer que não havia campo elétrico; não podia
haver se o imã não se movia.
Na época de Einstein, todo mundo - ou pelo
menos todos os físicos - sabia que havia algo de esquisito nisso. Se o
movimento relativo era tudo que importava, por que deveriam as leis
Físicas descrever os dois casos de maneira diferente? Todo mundo sabia
disso, mas ninguém comentava; a contradição era convenientemente
ignorada. Como Ronald W. Clark, um biógrafo de Einstein, expressou,
levantar questões sobre essa dificuldade "era cuspir num lugar
sagrado".
Mas Einstein nunca foi de aceitar
cegamente a autoridade, e levantou questões incômodas. Enquanto ainda
adolescente, percebeu que havia algo de paradoxal com a teoria
eletromagnética aceita. Estava bem estabelecido que as ondas luminosas
eram compostas de campos elétricos e magnéticos rapidamente oscilantes.
Mas e se alguém seguisse uma onda luminosa com a velocidade da luz?
Nesse caso, os campos iriam parecer imóveis, tal como uma onda do mar
pareceria imóvel a alguém que voasse sobre ela com velocidade igual à
do seu deslocamento. Na ausência de cargas elétricas e de imãs, porém,
não existem campos elétricos e magnéticos imóveis na natureza. Assim,
se o deslocamento com a velocidade da luz fosse possível, ver-se-ia
algo claramente impossível.
Em 1905, Einstein publicou um artigo com o
modesto título "Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento", em
que mostrou que as contradições existentes na teoria eletrodinâmica
poderiam ser eliminadas mediante o pressuposto que a velocidade da luz
pareceria a mesma para todo observador em estado de movimento uniforme.
Esse artigo lançou os fundamentos da teoria especial da relatividade
de Einstein. Ele continha todos os resultados importantes da teoria,
exceto aquele concernente à equivalência de massa e energia. A famosa
equação de Einstein,
apareceu num segundo artigo sobre relatividade, publicado mais tarde naquele ano.
A idéia de que a velocidade da luz seria
sempre a mesma parece um pouco surpreendente de início. Por exemplo,
suponha que uma nave espacial está imóvel com relação a uma estrela. Se
as pessoas dentro da nave medirem a velocidade da luz que as atinge,
vão verificar que ela se desloca a 300.000 km/s. Se a nave espacial for
então acelerada, alcançando metade da velocidade da luz, em direção à
estrela ou afastando-se dela, os tripulantes vão obter o mesmo
resultado. Da mesma maneira, se um feixe de luz for emitido pela nave
espacial, ele partirá com a mesma velocidade de 300.000 km/s, quer a
nave tenha alcançado uma alta velocidade ou não.
Que tais coisas aconteçam parece uma
afronta ao senso comum. No entanto, sabemos que na Mecânica Quântica,
fenômenos que contrariam a intuição são lugar-comum num reino tão
afastado do mundo da experiência cotidiana. A mecânica quântica nos diz
que não podemos esperar que os objetos do mundo subatômico se
comportem tal como os grandes objetos macroscópicos. De maneira
semelhante, a relatividade nos diz que objetos que se movem com
velocidades próximas à da luz não agirão do mesmo modo que os que se
movem relativamente devagar. Evidentemente, isso se aplica também à
própria luz, que se move com a velocidade da luz por definição.
O EXPERIMENTO MICHELSON-MORLEY
A relatividade não era uma teoria
especulativa. Como Einstein assinalou, ela se destinava a explicar
fatos experimentais observados. Quando Einstein propôs a teoria, já
havia indícios de que o estado de movimento não afetava as medições
da velocidade da luz. Em 1887, o físico alemão-americano Albert
Michelson e o químico americano Edward Morley realizaram um experimento
muito discutido em que tentaram comparar a velocidade da luz em
diferentes direções com relação ao movimento da Terra. Medidas diretas
da velocidade da luz em diferentes direções teriam sido de pouca
valia. Não seria possível efetuá-las com precisão suficiente para
determinar se não havia nenhuma discrepância. Por isso Michelson e
Morley usaram conjuntos de espelhos que faziam com que um feixe de luz
se deslocasse em duas direções diferentes ao mesmo tempo. O experimento
fora planejado para detectar diferenças nas velocidades da luz, o que
era algo que podia ser medido. A seguinte analogia deve clarificar o
que estavam fazendo. Suponha que você esteja observando alguns
corredores numa corrida de 100 m. Se você não tiver um cronômetro, é
difícil medir as velocidades médias com que eles correm. Por outro lado,
é fácil determinar se um corredor é um pouco mais veloz ou um pouco
mais lento que outro. Basta ver quem cruza a linha de chegada primeiro.
Michelson e Morley tinham plena confiança
de que obteriam um resultado positivo. Na época, os físicos acreditavam
que a luz era transportada por uma substância chamada éter, que
preenchia todo o espaço. Raciocinavam que, se a luz consistia em
vibrações eletromagnéticas, tinha de haver certamente algo em cujo
interior ela vibrava. Todos os demais tipos de oscilação de que tinham
conhecimento exigiam o movimento de alguma substância Física. As ondas
sonoras, por exemplo, consistiam no movimento de moléculas de ar. Não
havia razão para esperar que a luz fosse diferente.
Para sua surpresa, Michelson e Morley
obtiveram um resultado negativo. Não conseguiram detectar diferenças na
velocidade da luz quando ela se deslocava em diferentes direções. Não
fazia a menor diferença que um feixe de luz se propagasse na direção em
que a Terra se move, na direção oposta ou numa direção perpendicular.
Sua velocidade era sempre a mesma. E uma vez que o feixe de luz era
supostamente transportado por um éter estacionário através do qual a
Terra se deslocava, aquilo era realmente um enigma.
A teoria do éter não sobreviveria por muito
tempo. Como o próprio Einstein mostrou em seu artigo sobre a
relatividade, os fracassos das tentativas de detectar o éter a tornavam
uma hipótese desnecessária. De fato, a idéia de um éter não teria sido
compatível com a relatividade. Se tal coisa existisse, o movimento não
seria relativo. Qualquer observador estaria sempre imóvel em relação ao
éter ou estaria se movendo através dele. Einstein resolveu o problema
do éter simplesmente descartando a idéia. É claro que estava certo.
Hoje, os físicos não vêem contradição alguma na idéia de que as ondas
eletromagnéticas podem se mover através de um espaço vazio.


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